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sexta-feira, abril 19

A propósito da Felicidade

Ninguém Tem Pena das Pessoas Felizes 
Ninguém tem pena das pessoas felizes. Os Portugueses adoram ter angústias, inseguranças, dúvidas existenciais dilacerantes, porque é isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas são sempre mais interessantes. Nós, os tontos, não temos interesse nenhum porque somos felizes. Somos felizes, somos tontaços, não podemos ter graça nem salvação. Muitos felizardos (a própria palavra tem um soar repelente, rimador de «javardo») vêem-se obrigados a fingir a dor que deveras não sentem, só para poderem «brincar» com os outros meninos.
É assim. Chega um infeliz ao pé de nós e diz que não sabe se há-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o inventário das tristezas das últimas 24 horas: «E tu? Sempre bem disposto, não?». O que é que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma avó, que nos atraiçoou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines.
E, no entanto, as pessoas felizes também sofrem mui
to. Sofrem, sobretudo, de «culpa». Se elas estão felizes, rodeadas de pessoas tristes, é lógico que pensem que há ali qualquer coisa que não bate certo. As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa. É como a polícia que vai à procura de quem roubou as jóias e chega à taberna e prende o meliante com ar mais bem disposto. Em Portugal, se alguém se mostra feliz é logo suspeito de tudo e mais alguma coisa. «Julgas que é por acaso que aquele marmanjo anda tão bem disposto?», diz o espertalhão para outro macambúzio. É normal andar muito em baixo, mas há gato se alguém andar nem que seja só um bocadinho «em cima». Pensam logo que é «em cima» de alguém.

Ser feliz no meio de muita gente infeliz é como ser muito rico no meio de um bairro-de-lata. Só sabe bem a quem for perverso. Infelizmente, a felicidade não é contagiosa. A alegria, sim, e a boa disposição, talvez, mas a felicidade, jamais. Porque a felicidade não pode ser partilhada, não pode ser explicada, não tem propriamente razão. Não se pode rir em Portugal sem que pensem que se está a rir de alguém ou de qualquer coisa. Um sorriso que se sorria a uma pessoa desconhecida, só para desabafar, é imediatamente mal interpretado. Em Portugal, as pessoas felizes sofrem de ser confundidas com as pessoas contentes.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

sexta-feira, março 29

O fim da carreira docente

(...)Os educadores e professores como profissionais qualificados e com uma carreira minimamente atractiva são dispensáveis, em troca de uma mão-de-obra obediente, atemorizada e com escassa ou nula segurança laboral.

O objectivo do concurso que se avizinha não é, neste contexto, suprir as necessidades das escolas mas consolidar a precarização docente e a redução, a breve prazo, dos quadros para dois terços do que já foi.

O resto… enfim… o resto é nevoeiro, ao serviço da domesticação e empobrecimento do grupo profissional qualificado mais numeroso do país e no âmbito dos funcionários do Estado.

domingo, outubro 10

Portugal é uma Barraca com um Submarino à Porta


Gostei especialmente:
- Não posso sonhar o TGV com gente com fome nos caixotes de lixo;
-Estamos a deformar gerações, gente a crescer sem bases, sem valores, que esqueceu o ser, montada no ter
- Criar gerações de monstros: sem história;
- A memória das nossas crianças não se cruza com as história dos nossos velhos;

Palavras sábias!
Nunca tinha ouvido falar deste Frei Fernando Ventura e estou impressionada pela clareza de pensamento. Fui investigar.

Curriculum:
Fernando Ventura
nasceu em Matosinhos. É licenciado em teologia pela Universidade católica Portuguesa e licenciado em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, tendo sido professor da Sagrada Escritura no Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro. No âmbito do movimento de difusão bíblica promoveu encontros nos cinco continentes e colabora como tradutor e intérprete para vários organismos internacionais, entre os quais a Ordem dos
Capuchinhos, a Comissão Teológica Internacional no Vaticano, o Conselho Internacional da Ordem Franciscana Secular, a federação Bíblica Mundial e ainda algumas ONG. Tem publicado vários artigos de temática bíblica. em Portugal e no estrangeiro, e é autor do
primeiro estudo de Maria no Islamismo bem como de um estudo exegético sobre o capítulo 21 do Apocalipse.

segunda-feira, maio 17

Artigo de Opinião com um dos melhores títulos que li recentemente

Mirandela Gate: o estranho caso da professora que tem um pipi

"A "Stôra" Bruna era a responsável pelas AEC (actividades extra-curriculares) dos alunos. Pelos visto também ela própria desenvolvia algumas AEC. Teve azar quando a sua luta desnudada contra a ideia pré concebida de que a revista Playboy não tem qualquer conteúdo pedagógico entrou em conflito com a sua segunda actividade profissional, a mais agasalhada: o ensino.
No país dos brandos costumes depressa acorreram a insurgir-se contra esta "pouca vergonha" as mães, os pais e até o Presidente da Câmara imagine-se. As mães dos meninos jamais iriam permitir que a Bruna que os maridos vêem descascada na revista que compram às escondidas pudesse andar por aí a dar aulas aos filhos. Cada Bruna no seu galho. Uma para entreter o maridão outra para ajudar o Fábio a fazer os TPC.
Já os miúdos devem ter adorado. Sim, a canalhada adolescente que sonhava à noite com a "Stôra boazona" a andar pela sala de aula usando apenas saltos agulha pode agora visualizar esse sonho em formato de papel a troco de 3,95€. E com sorte ainda ouvem a professora Bruna a dizer no meio da aula "agora vamos todos abrir o manual na página 45 e começar a trabalhar". E os malandrecos tiram todos da mochila a Playboy que o paizinho tinha escondido na gaveta das meias.
As meninas da turma já andam a tratar de fazer uma petição para ver se conseguem convencer o professor de Educação Física a pousar em pelota para uma revista feminina. Só com uma bola de andebol na mão e um salpicão de Vinhais na outra.
Com isto a alheira de Mirandela anda murcha. Tudo porque os encarregados de educação preferem que os meninos vejam os professores não como homens e mulheres mas como um ser híbrido que se dedica ao ensino. Ou como um bocado de material contraplacado que por acaso marca falta disciplinares.
Já a "stôra" Bruna tem a sua curta carreira no Ensino terminada ou pelo menos um saneamento ou transferência à vista. Pais, alunos e a tabacaria Central de Mirandela agradecem por uns motivos e as mães por outros. Final feliz para todos, menos para a senhora professora."

terça-feira, março 23

A DEVIDA COMÉDIA de Miguel Carvalho

"Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.

Criancinhas
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos."
Artigo publicado na revista VISÃO online


Este artigo foi-me enviado por email.
Nos últimos anos vivemos na escola um drama difícil de ultrapassar: a desresponsabilização dos pais. Não é raro ver directores de turma a tentar entrar em contacto com os pais e muitas vezes até esperar por eles à hora de irem buscar os filhos para que eles assinem um papel autorizando medidas educativas em benefício do seu próprio filho. Bah.... Inventem-se novos pais, já dizia o Daniel Sampaio.

quarta-feira, fevereiro 24

Contra a escola-armazém de Daniel Sampaio

Quando um aluno entra na escola às 8h e sai às 20h, tem pai/mãe em média 3h por dia. Que geração estamos a criar?

"Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?
Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja.
Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais."
PUBLICO.PT

(os destaques efectuados no texto são da minha autoria: merecem reflexão urgente!)

quinta-feira, dezembro 17

O PALHAÇO por Mário Crespo

"O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos.
Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas.
O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre.
E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político.

Este é o país do palhaço.

Nós é que estamos a mais.

E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar.

A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço."
14 Dez Jn on line

domingo, novembro 1

Croquete e Batatinha

"Como seria de esperar, a nomeação da escritora Isabel Alçada para ministra da Educação foi a "mina" da semana. Não houve ninguém que não tivesse tentado fazer umas piadas à volta dos livros "Uma Aventura". Um fartote. Mas agora que já rimos todos e que o governo já tomou posse, vamos a coisas sérias.
Pergunto: e a Ana Maria Magalhães? Sim, o outro elemento, quiçá o mais importante, da dupla de sucesso da criançada?! Como se sentirá A. Maria Magalhães depois de, uma vez mais, ter ficado de fora?
Já anteriormente tinha sido preterida em favor da sua colega Isabel Alçada para o cargo de comissária do Plano Nacional de Leitura, e agora outra vez de fora! É injusto, e também um erro de José Sócrates, pois não é bom quebrar uma dupla de sucesso. Basta lembrarmo-nos de Croquete e Batatinha; separaram-se, e acabou logo a magia. O Croquete desapareceu e o Batatinha arrasta-se na irrelevância. É fácil imaginar Isabel Alçada a visitar escolas, e as crianças todas a perguntarem pela A. Maria Magalhães. Isto não é bom para o governo! Vai fazer mossa. O melhor teria sido Sócrates convidá-las às duas para serem ministras, criando um ministério com co-ministras. Isto, aliás, nem seria inédito. Basta ver o que se passou no Ministério das Obras Públicas do anterior governo com a dupla Mário Lino/Jorge Coelho. Alguém imagina o Dolce sem o Gabbana? O K. Richards sem o Jaeger? O Santana Lopes sem o P. Granger? Tal como a própria Yoko Ono, que destruiu a dupla Lennon/MacCartney, Sócrates vai ser a Yoko Ono da dupla Uma Aventura! E se o PSD fosse buscar a A. Maria Magalhães?!"


or José de Pina, I Online

terça-feira, junho 30

A importância de saber chegar a casa

"Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos. Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção. Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia. Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.
Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.
in Boletim de Julho da Acreditar"

sexta-feira, junho 19

PETA condena Obama por ter matado mosca na televisão



"
Peta & Obama
O grupo PETA, de defesa dos direitos dos animais, pede a Barack Obama que tenha uma atitude mais humana, da próxima vez que uma mosca se intrometer no seu caminho. O Presidente dos Estados Unidos matou uma mosca durante uma entrevista à CNBC, na Casa Branca. A PETA diz que vai enviar a Barack Obama o Katcha Bug Humane Bug Catcher, um aparelho que permite apanhar os insectos, e depois soltá-los na rua."


Este tipo de atitudes e de tomada de posições só faz parecer estas organizações ridículas e extremadas. O tal aparelho que a PETA vai enviar ao presidente é este aqui do lado. Estou mesmo a imaginar o Obama nsa sala oval a mandar interromper as reuniões para ir apanhar moscas com o "Katcha Bug Humane Bug Catcher".
Custa 8 dólares e pode ser adquirido no
catálogo da PETA.

terça-feira, abril 21

Susan Boyle -Velha, Feia e com Sucesso


«Susan Boyle - há uma semana, ela foi concorrente no Britain's Got Talent, a versão britânica de um desses concursos caça-ídolos. Susan subiu ao palco com o vestido dourado do casamento de um sobrinho, de barbela, sobrancelhas em floresta e cabelo maltratado. Desempregada, tem 48 anos e "nunca fui beijada". A plateia e o júri prepararam-se para vaiar o desplante. Fizeram mal, deviam ter reparado na passada firme com que entrou. Ela cantou I Dreamed a Dream (Sonhei um Sonho), do musical Les Misérables. A boa voz, aliada ao nada que se esperava dela, mais aquele não sei o quê das pessoas genuínas transformaram-na em sucesso planetário. Ontem, o seu vídeo no YouTube já tinha sido visto por 26 milhões de pessoas. Entretanto, descobriram-lhe um disco gravado, há dez anos, em que a sua interpretação de Cry Me a River é magnífica. Feia a conquistar um mundo de glamour, velha insistindo num sonho, Susan Boyle é uma parábola com lição moral. Sim, cada um de nós pode. Temo é que Susan, podendo muito, não possa com o mundo tal como ele é
por Ferreira Fernandes
Diário de Notícias

Depois da leitura deste artigo Fa-bu-lo-so de Ferreira Fernandes e para a meia dúzia de pessoas que ainda não ouviram a senhora a cantar, aqui está uma versão legendada de Susan Boyle a cantar "I Dreamed a Dream" do musical "Les Misérables".

quarta-feira, março 25

E que Lucílio vos Acompanhe


O padre Marques Eleutério é um fervoroso adepto sportinguista - brinca e "ameaça" recusar baptizar meninos com nome Lucílio.

"Aproveito para vos anunciar que, enquanto for responsável por esta paróquia, não faço intenções de baptizar nenhum menino chamado Lucílio. Queiram dispor para tais propósitos dos serviços de uma paróquia vizinha", anunciou domingo o padre João José Marques Eleutério antes do tradicional "Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe".

segunda-feira, fevereiro 9

Está Bem... Façamos de Conta

"Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.

Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

Mário Crespo - Jornal de Notícias
(artigo tão bom que merece estar na íntegra!)

quarta-feira, janeiro 21

Os Filhos Chulos

«Ainda bem que a União Europeia foi estudar em que países, segundo os pais, os filhos são mais felizes. Regra geral, é nos países mais ricos que os pais acham que os filhos estão melhor. Nos pobres, é o oposto. Faz sentido.
Excepto em Portugal. Aqui, apesar da pobreza, achamos que os nossos filhos são felizes. Fazem o que querem e é raro ficarem tristes ou em casa: são rebentos que rebentam de tanto frutificar. Estão no Paraíso. Com uma excepção: a escola. Essa cabresta. Aí, acham os paizinhos, não estão nada bem. É que puxam muito por eles.
Insistem que estudem. Não compreendem que só se é novo uma vez. Como contou Catarina Gomes no PÚBLICO de sábado: "Inquiridos sobre o bem-estar dos filhos na escola [as respostas dos] pais portugueses estiveram muito abaixo da média europeia."
Ainda bem que os filhos portugueses foram denunciados. São a esponja da nação. Absorvem toda a riqueza nacional. Sugam-na até ao tutano.
Desde crianças que são mais bem vestidas do que os pais. Não largam o ninho antes dos 30. E, mesmo assim, só com aliciantes. Ser filho é a grande profissão nacional. Não trabalham; não estudam; não dão satisfações. Não pagam renda; não deixam gorjetas; não gastam senão o essencial. São bilionários do egoísmo e do bel-prazer.
É a condição dos pais que arrasta Portugal para a pobreza, pela miséria que resta do financiamento da filharada. Ao menos que saibam que valeu a pena e que não há na Europa filhotes mais felizes. Ao menos isso.»
Miguel Esteves Cardoso (Público)

terça-feira, novembro 11

Manuel (pouco) Alegre

"No editorial do número 2 da revista “Oops”, o deputado do PS recorda ter “passado a vida a lutar pela liberdade de expressão e contra o medo” e diz estar “farto de pulsões e tiques autoritários, assim como de aqueles que não têm dúvidas, nunca se enganam, e pensam que podem tudo contra todos”."
Jornal de Notícias

O número 2 da
Ops- Revista de Opinião Socialista

domingo, novembro 9

O Circo de Rangel - Sem Comentários

"Professores Agitados
Com a prosápia que é comum a todos os especialistas em agitação, Mário Nogueira assegura que a passeata de hoje será um acontecimento a nível mundial. "Nunca aconteceu no Mundo inteiro", diz o agitador.(...) Notável este homem. É secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, aestrutura sindical dominada pelo Partido Comunista. Grosso modo, Mário Nogueira já não dá aulas há mais de 22 anos. Ou seja, já não é capaz de exercer a sua profissão. ‘Transferiu-se’ da escola para o sindicato e, em consequência, ‘comanda a vida’ dos professores há mais de 22 anos. Era um professor, hoje é um agitador. "
Emídio Rangel - Coisas do circo

terça-feira, julho 22

Limpeza étnica

"É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos"."
Mário Crespo -
JN

terça-feira, junho 10

Pensamento para este feriado especial

"O que os professores têm que interiorizar é que o Poder só entende a linguagem dos pescadores e dos camionistas…capice???"
Francisco Trindade

sábado, junho 7

O País da Era Sócrates - Parte 2

- A inflação para ter os valores que tem, é baseado em que produtos? Eis a lista:
Água de marialva, margarina Maria Inês, pão de trigo das Berlengas, sal purificado das ilhas selvagens, couve de amareleja, feijao banha,carne de suíno israelita, leite de lama, azeite importado do Suriname, bananas da Islândia, fraldas descartáveis para adultos com 2,15 mts, passe social entre as ilhas selvagens, carne de dinossauro, peixe raro, camarão de tromba arregaçada, chocos com tinta transparente, alhos do Srilanka, azeitonas da guatemala, limões do Saara ocidental ,arroz da Jôrdania, caracóis da Mongólia, tomates de Lilliput e sabão mercurial da Etiópia.

Com estes produtos e a sua variação anual fixa a taxa de inflação em Portugal de 2,1%

- Um jovem de 14 mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal, um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga é violência doméstica.

- Uma família a quem uma casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme podem, 6 presos que mataram e violaram idosos numa cela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

- Militares que combateram em África a mando do governo da época não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no Kosovo, Afeganistão e Iraque.

- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas as finanças a tempo e horas passado um dia já estás a pagar juros.

- Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em
gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe.

- O primeiro-ministro diz que o serviço de saúde com as medidas tomadas está mais prático e eficiente, não há registo de na última década alguém ter visto, ministro, esposa ou enteados nos SAP´s.

- Sai uma lei que proíbe o tabaco em áreas fechadas para não contaminar o ar dos outros e o PM fuma nos voos em que desloca em "serviço".

- etc... Se te lembrares de mais alguma coisa, acrescenta.
(via email)

quarta-feira, junho 4

País a pontapé

"(...) Mas, felizmente, nem tudo está perdido.
Por estes dias, vamos pôr uma bandeirinha na varanda, o disco do Roberto e do Tony, o cachecol no pescoço e comprar «sem juros, pague depois» aquele plasma muito em conta para ver o Ronaldo em grande e os filmes dos pequenos. Gritaremos até às entranhas pela pátria, pela finta, pelo cruzamento, pelo remate. Faltaremos ao trabalho, à família, aos amantes, à «manif» e aos compromissos. Em Junho seremos todos portugueses, todos iguais, todos diferentes: ninguém cobrará dívidas, até porque ninguém as pagaria. Estaremos todos por Portugal em harmonia fiscal. Chamaremos Scolari de nosso, abriremos conta «no banco de sempre» e correremos atrás do autocarro da Galp e da selecção como no anúncio da televisão porque, entretanto, até boicotamos a gasolina.

De festinha em festança, talvez a sorte nos sorria a pontapé ou à cabeçada. Quando regressarmos ao que efectivamente somos, estaremos, de novo, orgulhosamente sós. Sempre entre futebol e Fátima, entre um golo e uma oração. E de regresso ao velho fado."
Miguel Carvalho - Visão